Torne-se Empowered

O Gerenciamento da Mudança

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Lembro-me de certa vez ter ganhado de meus pais, em minha infância, um caleidoscópio, que é um tubo circular contendo em seu interior pedacinhos de espelho e vidros coloridos. Olhando por uma de suas extremidades, apontando a outra contra a luz, conseguíamos vislumbrar maravilhosos desenhos simétricos, complexos e multicoloridos. Era divertido formar desenhos geométricos cada vez que movimentávamos o instrumento. Quando alguma imagem especialmente espetacular se formava, era preciso manter a mão firme para eternizá-la o máximo possível. Mas com um pequeno movimento, ela desaparecia.

Em analogia, os dias agitados de hoje são como um caleidoscópio cuja mão que o segura treme a toda hora. A cada segundo uma nova informação nos interpela. O conhecimento das coisas não se esgota, não há mais padrões, pois milhões de dados são processados de forma contínua e implacavelmente. Como então gerenciarmos nossa vida pessoal e profissional nesta convulsão de novidades?

Há apenas alguns anos, quase todos os gerentes no mundo ocupacional tinham uma ideia clara do que era requerido deles, já que durante um período prolongado os cargos sob sua responsabilidade eram bem definidos e permaneciam relativamente estáticos. O gerente sabia pelo que estava sendo pago para gerir.

Uma função gerencial podia ser representada por uma curva de aprendizado que um indivíduo começava a subir desde a sua nomeação a gerente. A partir daí, o gerente recebia informações e também buscava por conta própria as condições necessárias para a sua gestão. Depois de certo tempo colocando em prática esse aprendizado, era visto como experiente e respeitado em suas responsabilidades específicas de gerenciamento. Ao chegar a hora de ocupar outra posição, se fosse o caso, respondendo a um movimento do caleidoscópio, a curva de aprendizado se alterava levemente e exigia que subisse mais alguns degraus; ou, em alguns casos, uma nova curva tinha de ser escalada. Havia, porém, longos períodos de tempo em que esse gerente se olhava no espelho e se via como um veterano.
Nos dias de hoje, em virtude das mudanças contínuas – um caleidoscópio que não se firma – tão logo o gerente atinge o topo de uma curva de aprendizado, outra nova aparece, colocando-o de novo no ponto de partida, uma vez que objetivos, métodos de gerenciamento e até papeis e funções parecem estar se alterando a uma velocidade cada vez maior. Em lugar de ver a imagem de um veterano no espelho, esse gerente contempla constantemente a imagem de um novato.
Para complicar a situação, ainda usando a analogia do caleidoscópio, a mudança não ocorre apenas nos padrões de imagens, mas também no tamanho e no número de pedaços de vidro colorido, gerando desenhos mais complexos e mais criativos. Assim, o trabalho gerencial se amplia.

Uma descrição de trabalho, no passado bem recente, podia ser considerada como algo relativamente estático, incluindo responsabilidades específicas ligadas a habilidades e objetivos específicos. Em vista dos avanços tecnológicos e informativos contínuos, assim como da pró-atividade que está sendo exigida com vigor cada vez maior, a descrição de trabalho do indivíduo tem mudado a toda hora, com novos conjuntos de habilidades e responsabilidades surgindo continuamente. Com frequência, só o próprio indivíduo encontra-se em posição de escrever esta descrição de trabalho em constante mudança, a qual representa o que ele está fazendo hoje – mas apenas hoje. Porém, mesmo com a ampliação do trabalho gerencial, por causa da alta competitividade, as empresas têm necessitado fazer um enxugamento de pessoal para diminuir seus custos, acarretando mais uma mudança no mercado: a do 'Movimento de Empowerment".

Movimento Empowerment

A necessidade das corporações de obter e manter uma margem competitiva leva-as a reformular suas estruturas organizacionais. O trabalho gerencial tem se ampliado mas, por força maior, o número de gerentes tem diminuído (a redução de pessoal não atinge somente o nível gerencial, mas todo o staff). A solução para esta questão é dar poder, delegar autoridade e autonomia aos gerenciados e subordinados para que executem suas tarefas com o mínimo de instruções e o máximo uso de suas competências. A este fenômeno dá-se o nome de "Empowerment", ou seja, empoderamento das camadas.

Não há dúvida de que alguns tipos de decisões críticas podem, devem e são tomadas muitas vezes no topo. Todavia, há outras decisões significativas que, tanto por causa do conhecimento imediato como da experiência de longos anos, só podem ser tomadas por especialistas nos vários da hierarquia. Na realidade, o reconhecimento dessa especialização em toda a empresa é que tem ajudado a por em prática o movimento de Empowerment.

O Movimento do Empowerment está baseado não tanto no poder distribuído, mas principalmente no fluxo da comunicação. Os canais de comunicação devem existir e funcionar com fluência. Como nunca o diálogo mútuo deve ser ocorrer favorecendo as tomadas de decisões. O sentimento inaugurado neste momento deve ser o de cumplicidade, compromisso, franca negociação e acordo mútuo, do contrário, o modelo adotado está fadado ao fracasso.

Sim, o Movimento de Empowerment é uma solução, mas exige das corporações o claro entendimento do seu mecanismo de impulsionamento.

Gerentes Influenciadores

O cargo gerencial não foi extinto na atual administração. Ele continua importantíssimo e imprescindível. No entanto, observa-se nas corporações que os gerentes não são mais os chefes-ditadores de outrora, baseados na máxima "manda quem pode, obedece quem tem juízo". Os novos gerentes são influenciadores.
O atributo que atualmente norteia a gerência é a habilidade de coaching. Ela contribui para o processo de vender ideias, dar direções, clarear objetivos, acentuar habilidades e atitudes, em vez de dar ordens. Motivação é a palavra de ordem e é um bem precioso aos cuidados da gerência, cuja responsabilidade é distribuí-la de alguma forma a todos que lhe estão submetidos.

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Conclusão

Mudanças realmente são necessárias, pois o Mercado as exige. Todavia, para que o Movimento de Empowerment seja aplicado com eficiência algumas premissas devem ser consideradas. São elas:

  1. Deve-se permitir que os indivíduos tomem as decisões que os favoreçam para um trabalho com mais eficiência;
  2. Eficazes canais de comunicações devem ser abertos;
  3. Todos devem aprender a escutar com atenção;
  4. Uma redução da distância entre os vários níveis de responsabilidade deve ocorrer;
  5. Deve-se procurar o aumento da pró-atividade de cada indivíduo e oportunidades devem ser criadas para que ela dê frutos;
  6. Novas habilidades, novos conhecimentos, novas informações e novas atitudes devem ser buscadas e, para isso, a corporação deve contribuir para que isso aconteça;
  7. Todos os envolvidos devem ter acesso a informações detalhadas quanto às atividades gerais e aos objetivos da corporação;
  8. Deve-se buscar o aumento da identificação e da lealdade dos indivíduos com a organização;
  9. A organização deve primar por favorecer o potencial de desempenho dos seus colaboradores;

Você acha que alguma outra premissa é ainda necessária? Contribua com este artigo, dando sua sugestão.

Até a próxima!

Maria Bia Aparecida Henrique

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